terça-feira, 15 de março de 2011

A morte de Ofelia

Rainha: Uma desgraça marcha no calcanhar de outra,

Tão rápidas se seguem. Tua irmã se afogou, Laertes.

Laertes: Afogada! Oh, que?

Rainha: Há um salgueiro que cresce inclinado no riacho

Refletindo suas folhas de prata no espelho das águas;

Ela foi até lá com estranhas grinaldas

De botões-de-ouro, urtiga, margaridas,

E compridas orquídeas encarnadas,

Que nossas castas donzelas chamam dedos de dfuntos,

E a que os pastores, vulgares dão nome mais grosseiro.

Quando ela tentanva subir nos galhos inclinados,

Para aí pendurar as coroas de flores,

Um ramo invejoso se quebrou;

Ela e seus troféus floridos, ambo,s

Despencaram juntos no arroio soluçante.

Suas roupas inflaram e, como sereia,

A mantiveram boiando um certo tempo;

Enquanto isso ela cantava fragmentos de velhas canções,

Inconsciente da própria desgraça

Como criatura nativa desse meio,

Criada para viver neste elemento.

Mas não dmoraria pra que suas roupas

Pessadas pela água que a encharcava,

Arrastassem a infortunada do seu canto suave

À morte lamacenta.

Hamlet: Ato IV, Cena VII

De toda a peça de Hamlet, essa com certeza e a fala mais bonita da peça. Quando a rainha Gertrudes avisa a Larte que sua irmã morreu.

Quem tiver preguiça de ler, veja o video com Andréa Beltrão dando um show de intepretação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comenta alguma coisa ai...