sábado, 31 de agosto de 2013

UM QUARTO NO ESCURO







É pequeno o quarto dele, deve ter um metro e poucos de quadrado, ou menos, não da para circula, há uma cama com um colchão quebrado, um guarda-roupa com uma colônia de cupins, do outro lado uma cadeira quebrada que fica grudada numa mesa velha que range ao encostar nela, livros vários livros fazem parte da paisagem do quarto, além de cadernos e folhas espalhadas pela cama e chão. Um violão quebrado ficava num canto, ele vai mandar conserta, mas não sabe quando. Nas paredes há muito mofos, além das tinturas descascadas e um buraco numa parede, para conserta uma infiltração do banheiro do lado, que vazava, mas foi consertada.


Era uma noite fria, ele acabava de chegar do curso em BH, era quase três da manha, havia tirado o tênis, mas ele estava com preguiça de trocar de roupa. Ouvia alguma musica depressiva, calma, no seu quarto, que combinava com a noite fria que fazia, olhando para o nada, esperando o sono chegar para dormir de uma vez, sem que os pensamentos lhe acorrentes e fizesse mal.

Em algum lugar haveria bocas se beijando, queria uma boca para beijar, talvez duas ou três, não importava, mas queria beijar. Talvez ele quisesse um príncipe encantando, talvez ele seja o príncipe encantado, talvez, não entendia essa coisa da vida. Afinal a vida não vem com um manual de instrução.

A vontade de fumar lhe aparecia, mas não podia, prometia a alguém, que não lembrava o nome, que iria parar, mas a vontade vinha, queria se render, mas não tinha a alternativa a não ser olhar para o lado.

Deitou abraçando os bichos de pelúcia, ou dos que sobrou do bicho de pelúcia, a maioria doou para amigos e pseudo – amigos, como lembrança da sua pessoa, queria deixar marcas, cicatrizes, mas o que ele deixava é um simples arranhão nas pessoas.

Estava sozinho ali, a sua companhia era os seus pensamentos que queria esquecer, perguntava para Deus, para o destino, para qualquer outra coisa e tentava entender o motivo de estar ali, naquela situação indesejada e desconfortante.

No final de tudo, ele resolveu agradecer a Deus, pois pelo menos ele lhe deu um teto, uma cama com colchão quebrado para que possa ter pensamentos indesejados.

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